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| Contos de Novembro | |
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| Topic Started: Aug 18 2009, 01:58 AM (462 Views) | |
| Simplismente Mari | Aug 18 2009, 01:58 AM Post #1 |
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E um pouco mais...
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Ola ola, Eis aqui um projeto cute cute. É básicamente assim: Escreva um conto original, e poste aqui, sendo que ele passe no final do ano, mais especificamente novembro. Não precisa passar toda a história em Novembro, mas só o leve comentar do mes já serve o.o Pode ter quantos capítulos quiser, não há problema. Essa idéia serve de socializar mais as pessoas, além de ser divertido :3 Algo como, literaturia para todos, todos podem ser autores, podem ter suas próprias histórias e talz 8D Enfim, o que acham e... Eis o primeiro conto: ![]() Bisnagueira Ah, a quanto tempo não vejo uma Bisnagueira amarela? Acho que desde quando eu era um menino e ainda morava na rua do bombeiro. Bisnagueiras sempre me faz lembrar da minha infancia, pena que só notei a existencia dela, ou melhor, delas no último momento. Afinal, duas bisnagueiras, gêmias para mim, que sempre as vi desda época que vivia naquele lugar, da noite pro dia, mudar de cor, chamaria atenção de qualquer um. Mas me alegro por ter notado-as pelo menos. Devia ter uns 12 anos, no máximo. Morava num apartamento pequeno no final da rua, 5 andares e eu morava no último. Apartamento... 512, isso! Lembro que perto da minha casa tinha três coisas que adorava: o Corpo de Bombeiro, onde eles deixavam a gente jogar futebol num campo dentro do batalhão, um quiosque onde eu sempre comprava uns doces com uns trocados aqui ou ali, e por fim, a rua da minha casa, que era uma rua sem saida, o que era ótimo para andar de bicicleta, brincar disso e daquilo, etc. Acho que desdos 5 anos morava naquele apartamento, então desde aquela época estava habituado com as duas enorme árvores na frente do Batalhão do Bombeiro. Nem sabia o nome, só sabia que suas flores eram meia avermelhada, laranja, e que todo final de ano ela ficava meio florida. Digo meio florida porque meus amigos subiam nela para pegar suas flores. Eu nunca subi, tinha medo de cair, medo de mamãe me deixar de castigo e o capitão dos bombeiros assutava muito! Mas meus amigos sempre foram meio doidos. Quando ninguem estava vendo, um ficava de guarda e o outro subia. O que era bem arriscado, as Bisnagueiras eram tão grandes que chegavam no 3 andar do meu predio. Claro, eles iam até os galhos mais baixo e era normal sermos pegos pelos bombeiros, mesmo com toda a bobagem de alguem espiando. A árvore era grande e até avisar que foram vistos, até descerem da árvore e talz, os bombeiros estavam esperando a gente batendo o pé no chão e de braços cruzados. Por causa disso, eu e os meus amigos pegavamos mais as flores que caiam na rua, para fazer guerrinha com elas. Parecia até arminha de brinquedo! Se Na verdade pareciam bisnagas, por isso o nome Bisnagueira. Era só apertava a florzinha que saia um jato amarelo. Também brincavamos de juntar um monte delas e ficar pulando em cima dela, para ver quem amacetava mais ou ficava mais amarelo. Todo mundo chamava aquela flor de Xixi de Mico, porque saia um liquido amarelho que lembrando xixi mesmo. Pra mim, se a flor chamva Xixi de Mico, a árvore se chamva Xixizeira! Minha mãe que ficava irritada quando eu chegava em casa todo amarelo. Brigava a bessa, mas depois esquecia e passava a mão na cabeça. Enfim, tive uma boa infancia, não nego. Amigos para a vida toda, pais gentis e legais. Mas só hoje notei que no dia que aquelas arvores mudaram de cor, ou melhor, uma delas, era como se marcasse o inicio de uma nova face na minha vida: adolecencia, pré-adolecencia, sei lá...! Nessa época meus amigos estava se mudando de escola, do prédio, da rua, do estado e alguns poucos, do país. Por hora, só eu que ficaria morando naquela rua. Fiquei pensando se nos encontrariam de novo e se um dia morariamos na mesma rua novamente. Mas não pensei muito sobre isso estava um tanto preocupado com as provas da escola. Só começei a notar mesmo alguns anos para frente. Apesar de tudo, ainda tinha contato com eles. As Bisnagueiras dos bombeiros ficava sempre meio floridas, mas nada exagerado, sempre tinha mais folha do que flor. Eu ignorava a existência delas, menos quando ia brincar de 'Guerra de Mijo', e em raros momentos, geralmente na época do verão, notava o quando era bom ficar embaixo dela e que sempre passava uma brisa fresca pra esfriar a gente. Gostava de ver as flores caindo no asfalto e ria quando um carro passava em cima dela fazendo o Xixi de Mico voar para todos os cantos. Só sei que, um dia, quando voltava da escola, as Bisnagueiras começaram a florecer. Não me lembro ao certo quando, mas bem perto do final do ano provavelmente, novembro ou outubro... Claro, normal, era a época de elas florescerem. Mas para a minha surpresa, uma delas floresceu amarela e aquilo foi o suficiente para chamar minha atenção. Eu ficava olhando aquela áquela Bisnagueira amarela da janela da minha casa, com os olhos aregalados. Mamãe achava graça, brincava que eu ia deixar as árvores sem graça de tanto ficar secando elas. Eu nem ouvia direito, claro. Todo dia, quando ia ou voltava da escola, passava de baixo dela. A rua estava maravilhosa, pois a cada dia que passava as Bisnagueiras ficavam mais e mais floridas, conseguindo fazer finalmente um tapete de flores no chão. Um tapete meio vermelho, alaranjado e amarelo. E começei a me apegar aqueles dias, adorava ficar olhando para elas, passar de baixo delas, ver os carros amacetando as florzinhas. Nesse meio tempo comecei a notar que os troncos das árvores eram enormes, que suas raizes já levantavam o asfalto do chão e que seus galhos que ficavam próximos ao fio eletrico eram podados constantimentes. Considerei besterias nas época, não entendia muito bem o porque daquilo. Hoje entendo perfeitamente. Os meses foi passando as árvores ficaram floridas como nunca vi na vida e qualquer um que passava pela rua exclamava com a beleza delas. Mas ai o chegou o ano novo, o Carnaval e as Bisnagueiras já tinha voltado a sua cor orginal 'verde-musgo', a cor das folhas. Minha mãe brincava comigo que fariamos um piquinique e chamariamos meus amigos. Eu dizia que não, que era coisa de menina e ficava vermelho ao que ela achava graça disso. "Estou brincando, estou brincando..." Dizia ela ao que bagunçava meus cabelos. E ai, quando via última flor amarela cair no asfalto e o carro passar em cima dela. Sorri e pensei: "Tomara que ano que vem elas floresçam de novo! Do mesmo jeito." E, ah! Até hoje gosto desse pensamento. Tão simples, singelo e inocente. Brinco com minha mulher e filhos de que esse pensamento trancou minha infancia e depois entrei na pré-adolecencia, adolecencia, sei lá...! Naquela época era ainda meio crianção, mas diferente dos 12 anos pra baixo, tinha mais malicia, me interessava pelas garotinhas e começava a ficar mais vaidoso. E apesar de, depois daquele dia, fiquei de olho nas Bisnagueiras esperado ver-lás vermelhas e amarelas de novo, mas elas não floreceram mais... Um dia, acho que na metade do ano seguinte, estava voltando de algum lugar (escola provavelmente) e vi bombeiros cortarem os galhos das Bisnagueiras. Começaram pelos os mais altos, indo até os mais baixo e no final só havia sobrado o tronco. Usavam serras elétricas e como desejei que elas quebrasse na operação! Acho que eu sai correndo em direção pra minha casa e perguntei para mamãe porque estava derrumbando as Bisnagueras. Ela passou a mão na minha cabeça e acho que ficou com pena de mim. Explicou que as árvores estavam grandes demais, que suas raizes estavam atrapalhando o transito e abrindo os canos de esgoto. Que elas atrapalhavam tanto o socorro em terra tanto quando eles, os bombeiros, usavam o helicóptero. "Sem contar que ficam batendo na fiação...!" E terminou com essa frase. Eu fui emburrado para meu quarto, fiquei lá até a hora do jantar vendo eles diminuirem as Bisnagueiras até sobrarem tocos de madeira. Ah, e aquilo me machucava. Tinha ficado apaixonado por aquelas árvores, talvez fosse algo como um bichinho de estimação. Todo o dia que passava para ir ou voltar da escola, ficava observando aquelas árvores. Perguntava se não podiam levar ela para outro lugar, com mais espaço e mamãe disse que seria muito trabalhoso e que eles não fariam isso mesmo que pedissimos. Se naquela época soubesse que Bisnagueira amarelas eram raras e que aquelas duas poderiam ser consideradas patrimonio da cidade, teria movido Deus e o mundo para salvar elas. Se eu soubesse... Lembro que dos tocos de madeira iam nascendo raminhos e com isso crescia minha esperança. Pensava coisas como: "Eles não precisam se preocupar mais com as árvores! Estão tão pequenas! Não vão atrapalar ninguem!" Ah, ingenuidade minha. Lá se foi a esperança que não durou muito, pois alguns dias depois desses novos raminhos nascerem, 2 dias exatamente, os bombeiros apareceram com uma nova maquina, especializada em tirar tronco e suas raízes. O processo durou 2 dias, primeiro a árvore da esquerda, depois da direita. E em ambos os dias, eu vi a morte das duas. E então um sentimento de culpa nasceu em mim. Eu poderia ter feito algo, não poderia? Pelo menos ter tentado, não podia? Fazer barulho, qualquer coisa. Hoje vejo que não daria muita atenção para uma criança. A impressa local nem se importaria com o protesto de um garoto para salvar suas amadas árvores. Talvez, se tivesse meus amigos juntos na época, conseguriamos fazer algum barulho. Na época fiquei com raiva dos bombeiros e até de quem não estava envolvido no assunto. Fiquei com raiva de mim mesmo até! Meu pai ficou irritado com assa minha raiva e jogou umas duras verdades na minha cara. Mamãe e ele brigaram por causa disso, no final, fiquei no quarto chateado por um tempo até todo mundo se perdoar. Apesar dessa briga toda, as verdades que meu pai me disse fizeram grande efeito e eu parei de sentir raiva do mundo, ficando apenas com saudades. Depois que as Bisnagueiras foram para o além, Deus as tenham, os bombeiros fizeram um estacionamento idiota e deixaram somente um canteiro minúsculo do que um dia foi o império das Bisnagueiras. Um canteiro com só mato, a proposito. Nem florzinha tosca, nem margaridinha, em flor do campo... Nada! Tenho que confessar algo, escute com atenção. Não me permitir contar isso a ninguem porque, sinceramente, a provabilidade de eu ser gozado pelos amigos é imensa...! Mas para você não me importo. Acredito que as flores amarelas teriam sido presentes de despedida. Sim, um presente de despedida mesmo...! Elas sempre foram vermelhas e derrepente uma nasce amarela? Vocês poderia dizer coisas como 'é por causa da raiz que entrou no esgoto', mas hoje sou formado em biologia e Bisnagueiras amarelas são rarissimas. Ok, talvez essa história de presente seja realmente bobagem minha, mas seria uma coecidencia elas terem florescido desse jeito quando suas sentenças de morte foram escritas. Duvido muito que esse presente seja para mim ou para qualquer outra pessoa que morava por perto. Provavelmente era um presente para todos e para quem quisesse ver ou simplesmente apreciar. Talvez também seja uma forma deseperada de continuarem vivas, mas prefiro acreditar na primeira hipótese. E, quem diria, depois de tantos anos, aqui esta uma Bisnagueira amarela numa fila de Bisnagueiras vermelhas. São quase identicas aos da minha casa de infancia: Troncos grosos, raizez invadindo o asfalto (e o esgoto provavelmente), sombra maravilhosa e brisa fresca tão boa que chega arrepia... A situação se repetindo. Ah, mas dessa vez, ninguem me segura!
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| Felipe Asakura | Aug 18 2009, 02:18 AM Post #2 |
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Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
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Edited by Felipe Asakura, Aug 18 2009, 05:49 AM.
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| Aurora the Black | Aug 18 2009, 10:40 AM Post #3 |
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E soltem a parede!!
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| Felipe Asakura | Aug 18 2009, 06:09 PM Post #4 |
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Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
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| Simplismente Mari | Aug 18 2009, 11:34 PM Post #5 |
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E um pouco mais...
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obrigada obrigada 8D fico feliz com o apoio de vcs 8D e, q isso Sarah, no se proecupe, pode ser conto de qualquer coisa, desdos mais chocantes ao mais belos ou triste Lipe, eu exijoooo q o seu conto chocante e polemigo seja publicado aqui ò_O eu tava pensando em escrever algo pessado, mas estava esperando ficar com um humor pesado para isso, se não vou me depresiar a toa ![]() E,fico feliz q vc, lipe, tenha ficad oa tarde toda escrevendo, eu fico a notie toda escrevendo, em geral nessa hora q surge o bum de inspiração.. |
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| Felipe Asakura | Aug 18 2009, 11:47 PM Post #6 |
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Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
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Talvez depois eu poste, quando pronto XD Fala sobre separação... Sobre uma criança... E tal XD |
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| Aurora the Black | Aug 19 2009, 08:45 AM Post #7 |
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E soltem a parede!!
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Vou pensar no assunto. ^_^ |
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| Simplismente Mari | Aug 20 2009, 01:11 PM Post #8 |
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E um pouco mais...
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obrigada queridos o.ob |
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| Simplismente Mari | Sep 10 2009, 03:21 AM Post #9 |
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E um pouco mais...
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![]() A flor do velho Um dia de sol num verão quente do Rio de Janeiro. As cortinas brancas do hospital pareciam fantasmas de antigos pacientes daquele quarto. Dançando pelo vento, murmurando angustias impossíveis de se entender para os ouvidos humanos. João dormia tranquilo em sua cama, com ajuda de sedativos é calor. Respirava com a ajuda de um aparelho e sua aparencia era de um velho de cabelos brancos tão frágil que, se fosse pego no colo, parecia que iria se quebrar. Estava todo cheio de fios e aqueles lençois e roupas brancas fazia ele parecer um cadaver. Talvez o barulho do bip da maquina ou a boca aberta com o peito a subir e descer fosse a única coisa que denunciasse que ainda havia vida naquele corpo magro. Sua filha, diferente do pai, não dormia, estava angustiada talvez com os fantasmas das cortinas ou com as palavras do medico. "Ele não tem muito tempo" Sentia vontade de chorar, mas já havia feito isso tantas vezes que se nem tinha mais lagrimas. Se perguntava como ainda nõa havia desidratado ou algo assim. Não comia bem, não dormia bem, tinha tirado atestado do trabalho e estava fazendo acompanhamento psicologico pela insistencia do marido, que estava preocupado. Rosana havia perdido a mãe quando pequena, então seu pai era tudo o que tinha. Claro, tirando a filha e o marido. Olhou-o do sofá que estava deitada e se questionou se era mesmo o seu pai. Ele era tão vivo! Mesmo com a grande idade avançada de 81 anos, era tão jovem. Ajudava ela na loja que tinha, uma loja de flores. Não cuisava das flores, claro. Era um desastre, mas cuiddava dos clientes, de novas instantes para serem colocadas. Era como um tecnico particular daquele lugar. Riu silenciosa ao se lembrar de um dia que ele lhe fez uma surpresa, fazendo uma rosade madeira. Colocaram a estatua na entrada da loja. Não era muito grande, mais ou menos do tamanho de Maria quando tinha 7 anos. Maria, sua filha. Claro, fazia bastante tempo, mais exatamente 10 anos. Maria agora era uma moça quase formada. Queria fazer biologia para virar botanica. Sonhava em conhecer o jardim nacional de São Paulo, mas queria fazer a facudade no Rio mesmo. Jogou a mão na testa e fechou os olhos, desejando dormir. Maria era mais forte que ela, não ficava se lamentando pelos cantos e sempre abria um sorriso para o avô. João ficava muito feliz quando a neta aparecia. Parecia ganhar mais vida. Lembrava mais o homem que era invez daquela carcaça palida e encurvada. Maria de fato trazia mais felicidade. A garota insistia em trazer alguma flor para dar mais beleza e perfume ao quarto com cheiro de alcool, mas as enfermeiras não deixavam. Querendo ou não aquele era um quarto divido, e o a outra pessoa, um homem baixinho e bigodudo que havia quebrado a perna, machucado a perna, sei lá! Rosana só sabia que era alguma coisa com aquela puta perna que, de algum modo havia levado ele justamente para aquele quarto. O cara careca, de cabeleira negra, a restante é claro, era alergico a qualquer coisa vinda da natureza. Rosana o achava um ignorante e incoveniente, e achava que era puro mimo do careca não aceitar flores. Parecia que fazia de proposito, tinha tanta vontade de bater naquela perna! E o pior, ele nem ficava no quarto, só usava ele para dormir praticamente. Ficava andando com a cadeira de rodas pelo hospital. Voltava para almoçar, jantar, dormir e tomar remedio. Os medicos diziam para ele ficar quieto no seu canto, descansando, mas o cara sempre arranjava um jeito de sair. E roncava ainda por cima. Talvez a insonia de Rosana fosse por causa daquele cara. Qual era o nome mesmo? Ah, quem se importava? Pelo menos deixava seu pai em paz no dia. O careca falava demais, não se surpriendeu ao ver o pai cochilar enquanto o baixinho reclamava da vida. Achava até graça, se a situação toda não fosse cômica. Suspirou virando-se de lado pla enesima vez, tentando ignorar o ronco do vizinho irritante.Ha, não se surpriendia porque ninguem dormia com ele no hospital, era tão irritante! As vezes recebia visitas, mas nunca estava lá. Eles esperavam até, mas desistiam depois de uma hora.Ele tinha um filho também. Uma gracia de rapaz, tinha idade de Maria ou aparentava pelo menos. Devia ter sido criado pela mãe, já que não parecia nada com o pai ao que Rosana suspeitava que ele era divorciado. O rapaz era bem insistante, ficava esperando umas duas horas,duas e meia, mas logo ia, pois era cheio de compromisso. Ah, seria bom ele conhecer Maria, se dariam bem, mas tinha medo dos dois se apaixonarem, se casarem e ela acabar parente daquele ser irritante. E... Qual era o nome mesmo?...Ah, porcaria, como uma pessoa conseguia roncar tanto? Deus, tinha um rato entalado na boca dele? --- Abriu os olhos fracamente, com certo esforço. Pelas palpetras pesadas viu apenas branco e se perguntou se havia morrido. Mas doia ainda para respirar e os murmuros ao seu redor indicavam que ainda estava no mundo dos vivos. As vozes foram aumentando a medida que a luz branca se revelava o teto do quarto num dia claro de uma manha de domingo. A televisão falava sobre o ótimo tempo para andar no parque e havia um leve murmurar do hospital de medicos correndo, crianças chorando e enfermeiros falando gentis com todos ao redor. Mexeu a cabeça num movimento leve ao que olhava o redor. Rosana havia saido, devia ter ido tomar o café da manhã. Ótimo, a filha precisava sair daquele quarto, daqui a pouco confundiriam ela com um doente se é que já não o fizeram. Seu parceiro de quarto parecia dormir ou não estava ali. Não conseguia olhar para a cama dele, mas logo o ronco de rato entalado foi ouvido, fazendo o velho ri baixinho. Achava engraçado seu vizinho, era um homem bom apesar de reclamar de tudo. Rosana logo apareceu na porta com um pão de queijo e um cafezinho, a enfermeira a seguia, acordando o vizinho e dando um sorriso a João, que retibuiu como pode. O carega bigodudo resmungou até e sentou-se tomando seu café da manhã falando de boca cheia que a comida que sua mulher fazia barrava qualquer coisa e restaurante que havia conhecido. Rosana olhava feio para ele, por causa dos maus modos, mas o vizinho mal a notava, ignorava-a. A mulher não falava nada por educação.Fala sua boba, vai ficar de bico fechado? Riu silenciosamente, amavel, imaginando a briguinha que aquilo teria. Seria bem engraçado na opinião do velho. Gostava de ouvir o vizinho falar. Dessa vez ele não havia dado um passeio, as enfermeiras não deixaram. Era alguma coisa relacionada ao filho dele. De qualquer forma aquilo o havia deixado um tanto nervoso, o careca. Mas havia um brilho nos olhos dele, principalmente quando falava do filho. Era um orgulho tão bonito. Talvez tivessem brigado. Rosana era ignorante o suficiente para não notar, o pai podia ver isso. Ela preferia ver a novela reprisada na teve a escutar as baboseiras do bigodudo. Mas Seu João não. Ficava ali, escutando. Mesmo quando fecahva os olhos e sonhava com nada, conseguia se lembrar de cada palavra do vizinho. O careca parecia notar isso, tanto que lhe perguntava o que achava e, numa voz fraca, Seu João respondia, sempre sorrindo docil. Apesar do corpo curvado e da aparencia debil devido a doencia, Seu João dava uma sensação de tranquilidade tão grande quando sorria ou falava que até assustava. Quem fechasse os olhso e apenas escutasse, pensaria que ele estaria bem, apesar de um tanto rouco e de voz falea. Os amigos da familia diziam que João já estava pronto pra morrer, mas não morria porque a filha não deixava. Seu João achava aquilo engraçado por algum motivo. Era bonito o amor de Rosana, mas ela já estava adulta o suficiente para conseguir caminhar com suas pernas e saber que um dia todo mundo ira embora. Seja pai, mãe, filho e filha. Ah, mas era tão mimada...! Sua princesa. Mas quem acharia estranho se ouvisse eu João dizer que, só não morre porque queria ver a flor que a neta plantou e colocou o nome dele aflorar. Era futil, mas a garota estava tão animada com a planta. Era tão bonitinho ve-la cuidar daquela planta com um botão amarelo. Qual era o nome?Ahn... hm... ah, Seu João não sabia. Ele não sabia nenhum nome de flor, só gostava de ficar olhando para elas, numa admiração silenciosa. Como se elas lhe contasse coisas que nem ele mesmo entendia. João teve uma vida feliz, sofrida, mas feliz. Nunca negou e nunca reclamou disso. Mas só queria ver sua florzinha sorrindo de novo. Só isso, ai poderia ir domir eternamente. --- "Vovô...? OI vô, que bom que o senhor acordou...! A florzinha João começou a florecer...! Não é ótimo?Mamãe disse que o Seu Bigodudo não deixa trazer flores, mas quando ele tiver saido vou trazer a plantinha... Vô seu batimento acelerou, isso é ruim? Não? Ah, que ótimo! O que? Ah, o filho do Seu Bigodudo. Mamãe disse para eu não aparecer aqui quando ele estiver visitando o pai... Disse que ovu me apaixonar por ele, olha que besteira! Haha! Mamãe é tão mimada...! Hm? Aham, pego água pro senhor. Pera, deixa eu ajudar você a se sentar. O que? Ah vô, chamar você de senhor é demostração de respeito. Sei que você não gosta, mas... Ok, ok, você. Prontinho! Como tem sido meu dia? Ah, tenho sido tranquilo. Tenho alguns trabalhos da escola para fazer, como é terceiro ano só tenho estudado para o vestibular. Acho que vou conseguir entrar para biologia, mas não sei, sempre bater aquela insegurança. ... É, o senhor ta certo, tenho que ser mais confiante. O jonny? Ah... o Jonny é o Jonny... a gente não ta mais tendo aquele clima, sabe vô. Acho que ele esta gostando de uma nojentinha qualquer lá que não vai com a minha cara. Mas não tem problema, ele não era o que eu pensava. To meio desepcionada. Oh, que isso vô...! Não se preocupa, não estou tão ruim assim. Ah, gostava... gostava. Agora não gosto mais. Agora é só... lembraça. Anh? O que a mamãe ta reclamando? Ah, parece que o filho do Seu Bigodudo vem visitar ele e ela não quer que eu veja ele. Besteirinha da mamãe, você sabe. É sim, usei você! Hehe...! Ah, chamar o Seu Bigodudo pelo nome? Ah vô, sei que é mais educado, mas eu não sei o nome dele...Mamãe também não sabe, mas mesmo que falasse não iria dizer.Ah! Nossa, esse é o nome dele? Meu Deus, nada haver não é? Ah, também acho... Hehe! Aham...! Isso. Oh! Vovô, olha... ele ta saindo de fininho. Acho que ele não quer encontrar o filho. .. Aham, mamãe também me disse que parece que eles são brigados. Ê teimosia!Pronto vovô Vou pegar a planta... Ue? Pensou que eu não ia trazer? Hehe, sou precavida! Vô seu batimento acelerou de novo... Animação? Ah, então acho que não tem problema... Vou pegar a planta, já volto!" --- Uma flor pequeniniha e amarela. Mas aberta dava para ver os tons alaranjado. Não conseguia sentir o cheiro nem nada, mas pela cara de Rosana devia ser bem perfumada. Ah, o filho do vizinho chegou. Ficou surpresa com Maria. Oh, que bela troca de sorrisos. Era um rapaz bem apesoado, seria dificil uma garota não se interessar. Hehe, pelo visto os piores desejos de Rosana estava criando formas. Menina bobo! Hehe! Devia ter ensinado a filha a deixar de ser mimada. Oh, o rapaz do Amauri estava espirando. É, deve ter puxado o pai na alergia. Mas, que bonitinho, mesmo assim estava vendo a flor. Gostava de gente assim. Oh, que outra bela troca de olhar. É, talvez acontecesse algo entre sua neta e o filho do Amauri. HohO! Quem diria, a enfermeira trouxe o Amauri de volta. Ho ho ho! Ah, quem mandou esse velho safado escapar? Hehe, isso acabaria acontecendo. O filho do Amauri e o Amaurise encararam. O vizinho parecia tão esperançoso, mas era tão teimoso, não iria dimitir. O menino estava feliz, mas acanhado, não sabia o que falar. Então Amauri espirrou. Rosana pareceu surpresa. Talvez ela pensasse que ele não era alergico de verdade e mentia que era por puro luxo. Menina boba, devia saber que isso são coisas que ela faria, não um reclamão como o Amauri. Devia ter ensinado Rosana a ser mais humilde. Ho ho, menina boba... --- -"Mas porque diabos....ATCHIM! MAS PORQUE DIABOS TROUXE ESSA PORCARIA DE FLOR! EU DISSE MIL...MIL....ATCHIM! MILHÕES DE VEZES QUE ERA ALERG...ATCHIM!" -"Calma pai, a neto do Seu João só ta mostrando a flor pra ele...!" -"Isso mesmo Seu Bigodudo! Deixa minha filha fazer meu pai feliz!" -"Ah, tava demorando para voce falar! Finalmente! Só ficava com essa cara feia me olhando torto! Se te incomodava que falasse mulher! Desteto esse tipo de gente!" -"Você detesta tudo seu careca! Detesta a cama, detesta o teto! Detesta até a comida que te alimenta!" -"Claro que detesto! É tudo uma porcaria! Como não detestaria!" -"Oras, seja mais grato!" -"Mamãe, acho que você..." -"Quieta menina! Ora bolas! O senhor..." -"Meu Deus, você poderia parar com essa gritaria? Os outros pacientes estão reclamando...! Não me façam expulsar vocês daqui! O hospital exige silencio." -"Desculpa enfermeira, mas esse homem.... Esse homem ainda me mata!" -"Ah, se eu fizesse isso faria um favor ao mundo!" -"Ora seu..." -"Por favor!" --- Hehe... Ah, uma flor tão bonitinha... Rosana era mesmo uma mimada, sua mulher iria bater nele quando se encontrasse no outro mundo.Criar uma menina tão mimadinha assim. Com jeito de princesa. Haha... Ah... seria estranho ver sua amada. Ela estaria tão jovem e ele tão velho... Mas, ah, sabia que ela não se importaria e, no fundo, ele também não se importava. Piscou os olhos pesados. Vendo toda aquela confusão. Finalmente Rosana abriu a boca, estava demorando. Sabia que elae o Amauri iriam brigar, e era engraçado também. Sua neta e o filho do vizinho ria baixinho da situação, fazendo comentarios hora ou outra ou trocando olhares. Ahm formavam um casal bonitinho para a infelicidade de Rosana. Um amor...! Coitada da enfermeirinha... Mesmo com tantas ameaças não conseguia dominar aqueles dois gigantes. Rosana seria expulsa já já se continuasse a agir tão mal criada. Mas quem iria dormir com ele...? Hm, quase havia se esquecido que era hora de morrer. Hehe, sentiria falta deles, mas quando fossem a horas deles, taria lá, esperando de braços abertos. Olhou a flor de novo, tão bonitinha... Sua neta fez um bom trabalho, nunca havia visto uma flor tão singular como aquela. Era normal, comum como outras, mas bastava prestar atenção para ver o amor que amanava dela, que suas delicadas petalas eram mais vivas que as outras plantinhas. Maria estava certa, aquela flor parecia um sol naquele quarto branco. Talvez fosse a bagunça do Seu Amauri e de sua filha, ou tudo junto, não sabia. Seu João ficou olhando a plantinha, sempre com um sorriso doce nos labios e com risos silenciosos. Ficou olhando as cores de fogo até sentir as papedras mais pesadas, aquela molesa. O ar começando a faltar. O branco começava a surgir. Começou a ouvir muitos barulhos agora. Rosana chorando. Oh, não chore criança boba! Já é grande mais para isso, pelo menos não na frente da sua filha...! A enfermeirinha chegando, gritou alguma coisa, não sabia o que era, já não entendia mais nada, menos Rosana berrando para não deixa-la. Menina boba... sua mulher brigaria com ele por ter criado uma princesinha. Tudo ficando branco, a florzinha desaparecendo. Voz de choro. Ah, tão bonitinha! Rosana tendo um troço. Com tanto carinho... Tudo parecendo tão distante, como se começasse a adormecer. Um cochilo gostoso... A dor sumindo, a florzinha sumindo, Rosana chorosa virando um bebê. Sua mulher soltando gritos na hora do parto. Sua infância, seu pai, sua mãe até finalmente seu nascimento. Então ouviu uma voz que conhecia que conhecia, mas não se lembrava de quem era. Tão sutil... tão, paterna. O que ela dizia mesmo? Rosana chorando... Choques eletricos no peito. Oh, estava tentando trazer ele de volta. Não não, obrigada, estava bem assim, aquilo fazia seu peito doer de novo... O que a voz dizia?Segue o teu caminho. Mais choques. Rega as tuas plantas. Rosana chorando que nem um bebê. Ama as tuas rosas. Ah, se perguntava se no seu tinha plantinhas como as de Maria... E o resto é som... |
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| Felipe Asakura | Sep 10 2009, 04:05 AM Post #10 |
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Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
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Woooow! Isso. Foi. Lindo... Perfeito! Amei essa história, foi realmente perfeito! Triste, mas muito boa! Foi muito bom a forma que você descreveu tudo... Os sentimentos de todos... A situação... A neta do Seu João. Muito bom mesmo! Foi uma bela história, embora bem triste... Bem que poderia ter outra com ele no céu! T_T |
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8:57 PM Jul 31